fevereiro 12, 2026

O fim do “Caveirão” em São Paulo: Demolição na Praça da Sé deve custar até R$ 6 Milhões ao proprietário

O “Caveirão”, um dos símbolos mais conhecidos do abandono no Centro de São Paulo, entrou oficialmente na reta final: a Justiça determinou a demolição do prédio inacabado na região da Praça da Sé e estabeleceu que o custo do serviço estimado em até R$ 6 milhões seja arcado pelo proprietário. O caso encerra uma novela urbana que atravessou décadas e ajuda a recolocar no debate o destino de outros “gigantes esquecidos” do coração da cidade.

Fachada do prédio conhecido como ‘caveirão’ (Alexandre Battibugli/Veja SP)

De Edifício-Garagem A “Esqueleto” Urbano

A história do Caveirão começa em 1960, quando o imóvel foi projetado para ser um edifício-garagem. A obra, porém, nunca foi concluída. Com o passar do tempo, a estrutura exposta virou um “esqueleto” entre prédios históricos e comércios do entorno daí o apelido que pegou.

Vista aérea do edifício abandonado  (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Em um dos capítulos mais sensíveis do abandono, o prédio chegou a ser ocupado irregularmente e abrigou cerca de 60 famílias, até passar por desocupação em 2018.

Multas, ordens ignoradas e a conta chegando

Antes da decisão mais recente, o Caveirão já acumulava ordens de demolição que, segundo o histórico do caso, não foram cumpridas pelo último proprietário, que acabou multado por não executar as medidas determinadas.

Parte de trás da construção tomada por entulho e lixo (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Em fevereiro de 2025, a Justiça formalizou a ordem: além da demolição, determinou que o empresário responsável arque com os custos do serviço, limitados em até R$ 6 milhões. A demolição, ainda de acordo com o relato do caso, teria levado cerca de 10 meses para ser finalizada.

O que o caso revela sobre o Centro

O Caveirão não é só um prédio é um recado. A demolição marca um movimento de “destravamento” (ainda que tardio) de um passivo urbano em uma área onde o metro quadrado é valioso, a circulação é intensa e o impacto visual de imóveis degradados pesa na percepção de segurança e vitalidade econômica.

Para quem atua com cidade e mercado, o efeito é direto: menos ruína à vista melhora o ambiente para comércio local, serviços e circulação, e reforça a mensagem de que o Centro pode, sim, ter destinos mais definidos para imóveis problemáticos seja por recuperação, reutilização ou, quando inevitável, remoção.

Além do Caveirão: outros “Prédios Fantasmas” com histórias (e decisões) no Centro

Antigo 2º Batalhão De Guardas / Antigo Hospício Dos Alienados (Parque D. Pedro II)

Foto: wikipedia/Ricardo Guimarães de Siqueira

Um prédio grandioso de 15 mil m², hoje em condição crítica: janelas quebradas, pichações, sinais de abandono e danos estruturais visíveis. A construção, iniciada em 1765, já teve múltiplas funções ao longo da história: teria abrigado o Hospício dos Alienados, um convento, e depois, a partir de 1905, o 2º Batalhão de Guardas do Exército, seguido pela Polícia Militar de São Paulo.

Com 184 anos, o imóvel estaria sob risco por ação do tempo e presença de cupins, com relatos de que estaria “prestes a desabar”. Após planos que não avançaram, o caso teria ganhado um novo rumo em janeiro de 2026, quando a Justiça determinou que o prédio seja recuperado e utilizado para algum fim público.

Edifício na Rua Roberto Simonsen (próximo a Sé)

Um prédio de cinco andares, do século 20, que “sobrevive” sobretudo pela fachada imponente — hoje desgastada — e por um uso parcial: o térreo funciona como estacionamento desde 2010.

O imóvel não teria um nome consolidado e, apesar de estar tombado, não há previsão clara de recuperação, cenário semelhante ao de outros prédios esquecidos no mesmo quarteirão.

Casarão Marieta Teixeira de Carvalho

Foto: wikipedia/Beatriz Salles

Descrito como uma “relíquia paulistana” pela arquitetura clássica, o casarão hoje apresenta degradação, com pichações e mofo. Foi residência de Marieta Teixeira de Carvalho, filha do coronel Carlos Teixeira de Carvalho.

Após a morte de Marieta, em 1975, o imóvel teria permanecido intacto por um período, até que herdeiros venderam móveis do acervo. Depois, o prédio passou ao Mosteiro de São Bento, atual proprietário. Mesmo com tombamento em 1981, o casarão não teria recebido investimentos consistentes de restauração, o que levou ao estado atual.

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